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Protagonismo na mídia

10 de setembro de 2018 -

Protagonismo na mídia

 

Ser mulher nunca foi tão desafiador como nos dias de hoje. Já faz algum tempo que passamos a ocupar posições antes dominadas por homens. Por exemplo: mais de 50% dos empreendedores brasileiros, cerca de 7,9 milhões, são mulheres segundo o Sebrae. Porém, os desafios ainda são muitos. Apesar de serem 43,8% dos trabalhadores, as mulheres ocupam apenas 37% dos cargos de gerência, de acordo com o IBGE. Quando se trata dos comitês executivos das grandes empresas, esse número cai para 10%.

Um passo importante rumo à mudança desse paradigma é conseguir mais visibilidade em setores estratégicos do mercado. Pense: quantas mulheres são capas de revistas, quantas são entrevistadas em programas de TV ou a principal fonte de matérias quando a pauta não é sobre o universo feminino?

Entre 2017 e o primeiro semestre de 2018, das oito principais revistas de negócios e economia do País, nenhuma dedicou mais de 20% das capas e reportagens especiais para empresárias ou executivas. Para alcançar relevância midiática que vá além das campanhas de Dia das Mães é preciso um esforço para produzir pautas fora do óbvio. No nosso País há milhares de mulheres especialistas em diversas áreas, então por que os homens ainda são os mais procurados para falar sobre tecnologia, ciência, empreendedorismo, negócios e tantos outros temas? Só em Santa Catarina há mais de 300 mil mulheres empresárias.

Foi pensando em ampliar essa relevância na mídia que desenvolvemos, na agência em que sou sócia, um projeto de comunicação e marketing voltado exclusivamente para mulheres. O Projeto Cora visa dar voz e visibilidade a 500 empreendedoras e executivas do Brasil até 2023. Há 12 anos empreendo no mercado de comunicação. E é na comunicação em que fui procurar uma forma de caminhar para um mundo mais equilibrado na questão de gêneros.

A meta é muito clara, e as protagonistas estão por aí, esperando uma chance para deslanchar. Mostrando, dando o exemplo, conseguiremos motivar mais mulheres a fazerem o mesmo.

Somente com iniciativas como essas é que podemos, de fato, caminhar para uma direção realmente positiva sobre o assunto, digna de países do primeiro mundo.

*Clarissa Antunes – empresária, jornalista e criadora do Projeto CORA, atual diretora de Comunicação da ACIF

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